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"Somos.": James Schamus revela a sua primeira série de sempre e a angustiante história que a inspirou

Somos. key art

Schamus apresenta o trailer e a arte principal da sua nova série dramática "Somos.", com estreia agendada para 30 de junho

Ler a história de relatos de Ginger Thompson, vencedora do Pulitzer, sobre um pouco conhecido massacre ocorrido em 2011, na cidade fronteiriça de Allende, no México, e sobre o papel que o governo dos EUA desempenhou no mesmo é uma experiência simultaneamente íntima e vasta. Escutar a voz dos sobreviventes, sejam eles os agressores ou as vítimas (em alguns casos, são ambos), é entrar num mundo paradoxalmente escondido por detrás dos cabeçalhos que nos deveriam informar sobre ele. 

A nossa série dramática, Somos., segue os dias que antecederam esse terrível evento, e as pessoas cujas vidas foram para sempre alteradas por uma operação da DEA que correu mal. Ao contarmos a história, temos dois objetivos principais: dar visibilidade às pessoas que a nossa cultura tenta frequentemente eliminar das nossas perceções e memórias, e asseverar a nossa coexistência com elas. Em inglês, 'Somos' requer duas palavras: 'We' are' ou 'We exist'. Mas em espanhol, uma palavra diz tudo. Pedi para acrescentar um ponto final após o título para que se lesse como uma afirmação, e não apenas como um título. 

Refletir vidas no ecrã

Os personagens de Somos. mostram outro lado de uma história que vemos frequentemente no ecrã. Em vez de filmarmos o narcotraficante ou o polícia de arma na mão, virámos a câmara para o figurante escondido a um canto. Como será a vida daquela pessoa? Que estará a pensar naquele momento? Que será que lhe vai acontecer? As pessoas que normalmente ficam nas margens do ecrã são aquelas no centro de Somos.

Esperamos que os espetadores se consigam identificar com as pessoas de Allende e partilhem a sua alegria, o seu amor e as suas aspirações. Na nossa série, os espetadores ficarão a saber o que é importante nas vidas de adolescentes, mães, bombeiros e rancheiros. Queremos que estas coisas também sejam importantes para o espetador, independentemente da tragédia que se aproxima.

Abordar a realidade através da ficção

Apesar de Somos. se basear em histórias verídicas, trata-se essencialmente de uma ficção. Não queríamos que as pessoas de Allende se preocupassem com que nós relembrássemos ou retratássemos de forma errada pessoas reais, de modo que pegámos em elementos de muitas histórias e criámos novos personagens para os representar e explorar. Desta forma, todas as pessoas de Allende vão conseguir identificar-se e aos seus vizinhos na série. Mas através destas ficções, esperamos acrescentar à sua (e à nossa) realidade partilhada, e assim contribuir para que essa realidade se torne uma parte mais relevante do debate.

Uma equipa mexicana e latino-americana

Sempre soube que Somos. deveria ser criada por mexicanos e, acima de tudo, para mexicanos. O meu papel era agir como uma espécie de participante/observador e usar a minha ignorância como motivação para abrir espaço para a extraordinária equipa por detrás da série. Eu não me estava a estrear apenas em produção televisiva, mesmo após décadas na indústria cinematográfica, como também desconhecia tudo acerca do México. (Felizmente, a equipa tolerou o meu tortuoso e lento progresso a aprender espanhol e o meu entusiasmo e rápido progresso com a gastronomia).  

E foi assim que o processo inteiro se ergueu em redor de darmos ferramentas às nossas centenas de colegas para erguerem as suas vozes, partilharem o seu conhecimento e articularem as suas perspetivas e ideias para que cada detalhe transparecesse a realidade. As nossas argumentistas Monika Revilla e Fernanda Melchor, a nossa produtora Sandra Solares, os nossos realizadores Álvaro Curiel e Mariana Chenillo, e a nossa editora-chefe Soledad Salfate partilharam todos este compromisso para com a promoção de competências coletiva. E não se trata de uma coincidência que a maioria dos principais líderes criativos da série sejam mulheres, já que são principalmente mulheres que falam com mais coragem nos relatos da história de Ginger Thompson, e são as mulheres que continuam a liderar os esforços para recordar e relatar os acontecimentos em que Somos. se baseia. 

Estou muito grato por poder partilhar este incrível projeto com o público do México e do mundo inteiro a partir de 30 de junho. 

Saber mais sobre as notas de produção de Somos., com introdução escrita por Fernanda Melchor