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Diego Luna revela nova série: "Vai Correr Tudo Bem"

Everything will be fine
Arte-final

Blog escrito por Diego Luna, criador, produtor e realizador de "Vai Correr Tudo Bem"

Estou muito feliz por partilhar Vai Correr Tudo Bem com os públicos do México e do mundo inteiro. Este projeto representa anos de trabalho, reflexão e gargalhadas, e um percurso revelador partilhado por uma equipa que estará sempre no meu coração. 

Vai Correr Tudo Bem, que produzi e realizei, decorre na Cidade do México e é uma comédia dramática que provoca uma reflexão sobre os conceitos contemporâneos de família e relações. Esta história nasce de uma necessidade urgente de contestar as ideias de casal perfeito, amor romântico e de formação de família, e da fusão das expetativas que possam existir sobre relações resumidas num ato tão frio, burocrático e contraditório como o casamento, por vezes, consegue ser.

A minha vida inteira tem girado em torno de entender as despedidas e separações. Logo na infância, quando ainda era muito jovem, tive de aprender a despedir-me da minha mãe, depois, desde os tempos de escola primária, tive de passar por várias separações em relações longas, mas efémeras. Houve muitas noites em que chorei a despedir-me de colegas do teatro, do cinema e da televisão que considerava como fazendo parte da minha família — relações fundamentais que terminaram sempre de forma abrupta com a última filmagem ou ato. Durante as nossas vidas inteiras, somos bombardeados por ideais absurdos de relações quase eternas, parceiros vitalícios e compromissos inquebráveis..., mas ninguém nos ensina verdadeiramente a dizer adeus.

No centro de Vai Correr Tudo Bem encontra-se também a família, a possibilidade que temos de criar relações que duram a vida inteira. Trata-se deste amor e compromisso mais duradouro, seja ele entre pais e filhos, mães e pais, mães e mães, pais e pais, ou o que quer que se adeque a cada pessoa. Talvez o chavão «até que a morte nos separe» seja realmente pertinente. Esta série contesta os papéis de cada género e a ideia da família tradicional, e lança um olhar sobre aqueles que querem imaginar as coisas de forma diferente daquilo que leem nas histórias para crianças — as famílias que se ajustam à complexidade da nossa busca pela felicidade.

A série também aborda questões como casamento, relações monogâmicas, e as aspirações sociais, profissionais e políticas que nos aproximam, para depois parecerem criar separações irreconciliáveis. Mas a série é também sobre imaginar, como aqueles em que eu mais confio diriam, a possibilidade de diferentes realidades existirem juntas em harmonia. Isto é tudo contado através de narrativas fictícias, e sempre com humor — a única forma de se ser sério.

A experiência de trazer esta história para o ecrã foi difícil. Além da complexidade implícita de contar uma história tão estratificada quanto esta — imaginá-la e escrevê-la confrontou-nos com os nossos próprios preconceitos e a nossa história — tivemos de filmar durante a Covid. Contudo, isso forçou-nos a ser criativos de formas inesperadas, a construir este sonho com novas ferramentas, através de estratégias experimentais e com recursos limitados. O resultado foi melhor do que aquilo que poderíamos ter imaginado. Em tempos de crise, é a criatividade que nos pode salvar. Estou muito grato por ter colaborado com uma equipa disposta a tudo para contar esta história. Hoje, apresentamos uma série de que todo o elenco e toda a equipa se podem orgulhar, uma história em que vale a pena dizer: sim, fomos nós que a fizemos.

Ver o trailer abaixo para saber mais sobre Vai Correr Tudo Bem e preparar a estreia agendada para 20 de agosto.

-Diego Luna