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História sobre a origem de "Colin a Preto e Branco" e trailer oficial da série divulgados

Ava DuVernay tornou-se uma cineasta e produtora de televisão de referência para as pessoas que querem contar as suas histórias pessoais ao dar-lhes uma plataforma para partilharem as suas vidas através de uma narrativa cativante e inspiradora. Em 2017, DuVernay conheceu o ativista e antigo quarterback da NFL Colin Kaepernick, que se transformou no centro das atenções após promover e protestar a favor de questões de justiça social tanto dentro, como fora do campo. Os dois formaram equipa para a nova série Netflix Colin a Preto e Branco, que segue a história sobre as suas origens através da perspetiva dos seus anos de formação, mostrando como alguém consegue alcançar a grandeza, assim como o que é preciso para desistir dos próprios sonhos de modo a defender aquilo em que se acredita. O trailer oficial da nova série dramática encontra-se disponível acima, e divulgamos mais informações sobre a inspiração por detrás da série abaixo.

Como surgiu este projeto?

Colin Kaepernick: na escola secundária, enfrentei muitos desafios diferentes no desporto, com a minha família e noutros aspetos da minha vida pessoal, com a qual muitos espetadores se vão poder identificar. Mas também enfrentei obstáculos enquanto jovem negro educado por uma família branca, numa comunidade branca. Após conhecer a Ava DuVernay, em 2017, percebi que ela era a pessoa certa com quem podia colaborar. Partilhei a minha ideia de criar uma série baseada nos meus anos de escola secundária e ela disse «Ok. Vamos a isso». Foi então que começámos a trabalhar juntos no sentido de dar vida a estas histórias da forma mais marcante e cativante possível.

Ava DuVernay : o Colin ligou-me e disse querer encontrar uma forma de contar a história da sua infância. O que me despertou o interesse foi a ideia de que, através da sua história, eu podia transmitir uma profunda crença pessoal: que todas as pessoas podem ser protagonistas e as figuras heroicas das suas próprias vidas. Pode soar simples, mas é uma ideia poderosa. Tens um papel secundário na tua vida? São os outros que ditam aquilo que és? A tua história só interessa quando envolve outra pessoa? Ou a tua história gira em torno de ti? Os teus sonhos, esperanças, prioridades e crenças devem estar em primeiro plano, não em segundo. Resumindo, eu estava interessada no processo em que alguém que se torna a estrela da sua própria vida. Isto não significa não ajudar os outros, ser egoísta ou egocêntrico. Significa ter a confiança de nos erguermos e defendermos acerrimamente quem somos de modo a sermos a melhor versão de nós próprios. Através da história do Colin, a equipa e eu conseguimos explorar esta ideia de formas com as quais espero que o público se identifique.

O que foi mais importante durante a criação desta história?

Kaepernick: Colin a Preto e Branco é uma minissérie com guião inspirada na minha experiência enquanto criança negra adotada por uma família branca. Eu não tive muitas referências ao crescer que me ajudassem a lidar com algumas das experiências ou interações negativas por que passei enquanto jovem negro. Quando estávamos a pensar em contar esta história, quisemos explorar mais essa ideia e dar às pessoas referências sobre como estas situações podem afetar e moldar a identidade e o crescimento de cada uma.

DuVernay: para mim, era crucial que esta não fosse outra série autobiográfica sobre a infância de uma pessoa famosa. Sem querer faltar ao respeito a esse tipo de séries, mas é algo que já foi feito, e bem. Estava mais interessada em explorar mais este tipo de narrativa. Tratava-se de analisar o processo de modo a determinar como poderíamos expandir o foco no percurso de um jovem para se tornar uma história que cativa o público em geral e com que as pessoas se identifiquem pessoalmente. O objetivo era pegar na ideia central e fazer com que significasse algo para os espetadores, quer eles estejam a ver em Detroit, no Dubai, em Shreveport ou no Senegal. Foi assim que me surgiu a ideia de imiscuir o contexto histórico e cultural na história de um jovem. Foi assim que abordei a composição da história, enquanto o Michael Starrbury e a sua equipa exemplar de argumentistas iam pondo as ideias no papel. O objetivo foi sempre permitir que a história do Colin proporcionasse aos espetadores um entendimento mais alargado dos seus próprios percursos através de várias histórias e vários legados culturais que afetaram as nossas vidas.

O que é que esperam que as pessoas retenham da série?

Kaepernick: esta foi uma oportunidade para abrir uma janela para as experiências inspiradas nos meus anos de escola secundária. Quero que os jovens negros e mulatos, em conjunto com as suas comunidades, possam descobrir algum tipo de orientação sobre como podemos combater os sistemas racistas e opressivos. Espero que mais alguém que passe por uma experiência semelhante possa dizer, «Eu enfrentei estes problemas. Esforcei-me para os ultrapassar, consegui fazê-lo e saí desta experiência com a minha dignidade e a minha identidade intactas».

 DuVernay: espero que as pessoas se sintam motivadas a analisar as histórias das suas próprias origens. Como cheguei até onde estou atualmente? Que acontecimentos — pequenos e grandes, recordados e esquecidos — me trouxeram até aqui? Esta série é sobre as pessoas decidirem por si mesmas o que as suas vidas e os seus legados podem ser. É sobre autodeterminação, automotivação, não estar dependente de autorização, não esperar que todos estejam de acordo, escutar a nossa voz interior e deixar que esta nos impulsione. E é também sobre perceber que a nossa história individual faz parte de algo maior. A minha maior esperança é que alguns espetadores possam retirar da série algumas destas ideias e questões. 

Kaepernick: esta é uma viagem em que estamos sempre a crescer e a evoluir, e queremos convidar todos a juntarem-se a este processo.

DuVernay: e queremos recordar as pessoas de que se devem respeitar a si mesmas, já que se ainda estão de pé após terem enfrentado estes desafios, isso significa que estão a construir o vosso próprio caminho. Continuem a dar os vossos passos, um após o outro. Existe glória nos vossos passos. Vou repetir: EXISTE GLÓRIA NOS VOSSOS PASSOS. Vocês são os heróis e as heroínas das vossas próprias histórias. Não se esqueçam disso.

Colin a Preto e Branco tem estreia marcada para 29 de outubro, na Netflix.