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24 de dezembro de 2020Como foi possível filmar o Cruzamento de Shibuya vazio, onde se encontra uma das passagens de peões mais movimentadas do mundo? E como se conseguiu filmar uma pantera a correr pelas ruas de Tóquio?
Um gamer refugia-se numa casa de banho pública de Tóquio com dois amigos. Quando saem, encontram a cidade deserta e apercebem-se de que têm de jogar para sobreviver. Baseada na manga de thriller e ficção científica epónima, a série da Netflix Alice in Borderland ganhou fãs no mundo inteiro e tornou-se o mais popular título original japonês com atores reais na Netflix. Mas não se fica por aqui: a série acabou de ser renovada para uma segunda temporada.
Enquanto a próxima ronda de jogos de vida ou morte não é lançada, eis alguns factos interessantes sobre a Temporada 1:
Desde que foi lançada a 10 de dezembro, Alice in Borderland tornou-se popular no Japão e na Ásia — Malásia, Hong Kong, Filipinas, Singapura, Taiwan, Tailândia e Vietname — assim como no resto do mundo, chegando ao Top 10 na Alemanha, em França, em Portugal, na Áustria e na Grécia, entre outros lugares. Ao todo, chegou ao Top 10 em quase 40 países/territórios.
A série é uma adaptação da popular banda desenhada de Haro Aso com o mesmo nome, publicada de 2010 a 2016 em formato de série de banda desenhada pelas japonesas Weekly Shonen Sunday S e Weekly Shonen Sunday.
As pesquisas no Google pela série Alice in Borderland dispararam globalmente por volta da altura do lançamento da série adaptada. As pessoas do mundo inteiro também descobriram e pesquisaram os atores principais Kento Yamazaki e Tao Tsuchiya, ambos nomes sonantes no Japão.
Atores principais Kento Yamazaki e Tao Tsuchiya. Foto: © Haro Aso, Shogakukan/ROBOT Aso fez o interessante comentário em que refere que baseou ambos os personagens principais nele próprio. Afirma o seguinte sobre Arisu, «lembro-me de como era quando tinha 20 anos e criei o Arisu baseado nas minhas próprias hesitações». O autor diz que a personagem de Usagi resulta da parte dele próprio que «é independente e não tem de depender dos outros».
A cena do primeiro episódio que mostra o Cruzamento de Shibuya (um dos mais movimentados cruzamentos de Tóquio) não foi filmada em Shibuya, mas num enorme cenário na cidade de Ashikaga, no município de Tochigi, a mais de 100 km do verdadeiro Cruzamento Shibuya.
Cenário exterior de "Alice in Borderland" na cidade de Ashikaga. Foto: © Haro Aso, Shogakukan/ROBOT Originalmente era suposto, no primeiro episódio, Arisu e os amigos encontrarem-se em frente a um Starbucks em Shibuya, mas devido à complexidade de um cenário coberto de vidro, o local foi alterado para um sinal em frente à estação.
Arisu e os amigos. Foto: © Haro Aso, Shogakukan/ROBOT A cena em que Arisu e os amigos fogem de uma rua movimentada para uma casa de banho pública na estação de Shibuya, onde esperam e depois saem para encontrarem o Cruzamento de Shibuya vazio é filmada num único take com mais de 4 minutos. Como tal, a equipa teve de recriar tudo o que aparece no ecrã.
Bilheteira do primeiro episódio — uma das coisas fielmente reproduzidas no cenário. Foto: © Haro Aso, Shogakukan/ROBOT Na cena de Shibuya, tudo foi criado através animação gerada por computador, à exceção da bilheteira, da casa de banho pública e da estrada. Para manter o cenário autêntico, o diretor de efeitos especiais até recriou a sombra do Edifício Tokyu, que normalmente incidiria sobre o local.
Cena do primeiro episódio de "Alice in Borderland". Foto: © Haro Aso, Shogakukan/ROBOT O tigre do quinto episódio foi criado com efeitos especiais e foi um esforço verdadeiramente global. O processo foi supervisionado pelo diretor de animação holandês Erik-Jan De Boer, vencedor do Óscar por criar o tigre de A Vida de Pi (2012). O trabalho de produção foi levado a cabo pelos estúdios de animação e efeitos especiais indianos Anibrain. Na sua totalidade, estes efeitos especiais envolveram equipas do Japão, de Singapura, dos EUA (Los Angeles) e da Índia.
Tigre do quinto episódio — criado através de animação gerada por computador. Foto: © Haro Aso, Shogakukan/ROBOT De modo a criar a pantera do quarto episódio, a equipa de efeitos especiais da empresa japonesa Digital Frontier teve de visitar o jardim zoológico para estudar o aspeto e os movimentos do animal e do seu pelo.
