Impacto social
31 de março de 2022Uma garota no sul da Tailândia vê a palavra "independência" pichada nos muros da cidade, mas escrever essa palavra em seu caderno escolar parece ser inaceitável. No Vietnã, um funeral se torna complicado para a família porque o único filho está fazendo uma transição de gênero.
Histórias como essas jamais teriam sido contadas dentro do modelo tradicional de cinema, em que o financiamento tende a ser monopolizado por grandes produtoras.
“São boas histórias, mas, como não têm os benefícios de um financiamento, apoio do setor ou recursos, não têm a chance de se tornar excelentes histórias", diz a roteirista Miranda Aguilar, que mora em Sydney, Austrália.
Para dar apoio a essas e outras histórias mais inclusivas, no ano passado criamos o Fundo Netflix para Criatividade Inclusiva. Ao longo de doze meses, trabalhamos com 25 organizações em todo o mundo.
As produções da Ásia-Pacífico ajudaram a abrir novas oportunidades para cineastas com pouca representação, que normalmente talvez não tivessem a chance de participar de intensivos de curta-metragem, workshops de escrita de roteiro ou competições de cinema, como por exemplo:
Um workshop de curta-metragem na Tailândia, em dezembro de 2021, que recebeu jovens cineastas de todo o país;
Take Ten, um programa em andamento na Índia que tem como objetivo celebrar a diversidade das histórias e garantir que os projetos tenham equipe e elenco predominantemente femininos;
Cinema Beauty , no Vietnã, uma competição cujos finalistas incluem histórias que representam minorias étnicas e a comunidade LGBTQIA+;
Na Austrália, este ano um programa em parceria com a Co-Curious recebe jovens roteiristas com históricos diversos e sub-representados para desenvolver ainda mais suas habilidades de escrita.
"Para fazer a diferença, você precisa ter perspectivas diversas e formas diversificadas de apresentá-las, e isso só é possível se você tiver diversidade entre cineastas e profissionais de criação por trás das câmeras", acrescenta Aguilar, que está participando do programa com a Co-Curious.
Ter diversidade tanto na frente quanto atrás das câmeras requer tempo e um esforço contínuo, mas um bom começo pode ser reunir jovens de diferentes status socioeconômicos para aprender em grupo. Quando a Purin Pictures organizou o intensivo de curta-metragem na Tailândia, tinha como objetivo nivelar o grupo selecionando cineastas de fora de Bangkok.
"Cineastas não se fazem em 10 dias, mas em 10 dias podemos inspirar cineastas", declarou Aditya Assarat, codiretor da Purin Pictures. "O que vimos no intensivo] foi um brilho nos olhos das pessoas. Todo mundo se sentiu empoderado e em pé de igualdade."