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Celebrando 10 anos das séries Netflix com ‘Lilyhammer’

Lilyhammer Premiere

Ao pensar na primeira série original Netflix, qual a primeira imagem que vem à cabeça? A Casa Branca? A Penitenciária de Litchfield? Nada disso. Nossa primeira série original foi Lilyhammer. Em 6 de fevereiro, comemoramos o 10º aniversário dessa estreia histórica na Netflix. 

Este momento crucial na história da Netflix começou em um estúdio de gravação no Mar do Norte. Foi na cidade de Bergen que os criadores noruegueses Eilif Skodvin e Anne Bjørnstad abordaram Stevie Van Zandt sobre a série que escreveram para ele, ambientada na cidadezinha norueguesa chamada Lillehammer. Alguns meses depois, recebi uma ligação de Stevie. Ele soube que a Netflix estava procurando conteúdo original e gostaria de enviar uma série. Perguntei se poderíamos ler os roteiros e Stevie respondeu: “Roteiros? Posso te mandar a temporada inteira”. Nós assistimos e adoramos. Achei que era uma história clássica de "peixe fora d'água", com Stevie no tipo de papel que o público ama, e a interação entre o mafioso Frank Tagliano (interpretado por ele) e a comunidade tranquila onde vivia, gerando grandes momentos de comédia. Era um personagem muito familiar em uma cultura desconhecida pela maioria do público. Eu não sabia o que aconteceria depois daquele telefonema do Stevie, mas já era (e ainda sou) muito fã de sua música e adorei o trabalho dele em Família Soprano, então fiquei feliz por termos conversado alguns minutos. 

Em seu novo livro, Unrequited Infatuations, Stevie disse que a ligação o levou à melhor reunião de trabalho da sua vida, quando nos conhecemos pessoalmente. Eu me lembro de pensar que, como vendedor, Stevie era um excelente ator e músico. Ele descrevia a série como "diferente, estranha, peculiar, às vezes falada em inglês, às vezes com legendas…”, quase como se tentasse me convencer de que não era boa. Ele não fazia ideia de que já tínhamos assistido aos episódios e estávamos apaixonados pela série. Aceitamos comprá-la e encomendamos a segunda temporada, sem saber que quase todas as séries da TV norueguesa só duravam uma temporada e tinham longos hiatos, caso houvesse mais de uma. Conversamos e fizemos um acordo.  

A reunião foi ótima e Stevie adorou nossas ideias, com exceção de uma. Quando eu disse que não exibiríamos um episódio por semana e a temporada seria lançada toda de uma vez, ele retrucou imediatamente: “Você sofre e se esforça tanto para alguém assistir um ano de trabalho em uma noite? Isso é meio esquisito". Eu respondi: “Não é esquisito. É como gravar um álbum”. Ele riu e acabou concordando. 

Após a estreia no canal aberto norueguês NRK em 25 de janeiro de 2012, Lilyhammer foi lançada na Netflix em 6 de fevereiro de 2012, com todos os oito episódios disponíveis para os assinantes dos EUA, Canadá e América Latina (seguidos pelo Reino Unido, Irlanda e países nórdicos naquele mesmo ano). Foi a primeira vez que lançamos uma série em vários países e idiomas, e deu certo.

Pensando bem, Lilyhammer talvez não tenha sido uma escolha muito convencional para estrear nas séries. Mas deu certo porque era uma história que poderíamos dividir com o mundo. As piadas e referências funcionavam em âmbito local e os temas mais universais da série foram muito bem aceitos em outros países. 

Desde então, várias histórias locais fizeram sucesso com pessoas de países e culturas diferentes: séries e filmes com locações variadas e faladas em diversos idiomas. Lilyhammer foi a pioneira, abrindo o caminho para produções incríveis, como Desejo Sombrio e Quem Matou Sara? do México, La Casa de Papel da Espanha, The Rain e O Homem das Castanhas da Dinamarca, Dark e Bárbaros da Alemanha, Lupin da França, Jogos Sagrados da Índia, e não poderíamos deixar de citar a recente Round 6 da Coreia do Sul, nossa série de maior sucesso. Mas a primeira sempre será Lilyhammer.

Por isso, agradeço à Lilyhammer e a Stevie Van Zandt por iniciarem esta jornada incrível que já dura uma década. É sempre difícil prever o que acontecerá nos próximos dez anos, mas temos uma certeza: exibiremos ainda mais histórias de qualidade para serem amadas em todo o mundo.